Filtro de cerâmica e prata coloidal

A TRADIÇÃO E O FRESCOR DA CERÂMICA

O Filtro de Cerâmica ainda é muito procurado por consumidores. Tradição e eficiência são palavras-chave na hora da escolha

por Tiago Dias

Cerâmica, em grego, significa “material queimado”. O nome provavelmente surgiu quando perceberam que o barro endurecia sob o sol forte. Os primeiros objetos cerâmi-cos armazenavam alimentos e principalmente água – o que hoje ainda é a sua especialidade.
No Brasil, a cerâmica é considerada responsável pelas primeiras indústrias instaladas em São Paulo, no fim do século XIX e começo do XX. Na época, era utilizado o “filtro fiel”, um sistema composto de uma armação de ferro de 1,2 metros, aproximadamente. Em cima da armação uma pedra porosa por onde a água era “filtrada”, caindo em um recipiente de argila que ficava na parte debaixo da armação.
Logo após, foi inventada uma vela capaz de filtrar com mais eficiência, composta de uma mistura de caulim, carvão e outras substâncias. A vela era parafusada dentro do recipiente e com uma torneira pequena instalada do lado externo. Surgiu então o Filtro de Cerâmica. No começo, a produção do filtro era realizada de maneira totalmente artesanal. Um pedaço de argila limpa e tratada era moldada à mão e, em seguida, levada ao forno.
Foi lançado então o filtro conhecido na época como “São João”, pela Cerâmica Lamparelli. Não demoraria muito para ele se tornar um hábito no consumo de água potável.
Segundo o Anuário Brasileiro de Cerâmica, a matéria-prima é considerada qualquer material inorgânico, não-metálico, obtido geralmente após tratamento em temperaturas elevadas. São diversas matérias-primas que podem ser utilizadas na fabricação de artigos cerâmicos, mas o principal delas é a argila. Essa matéria-prima é um material terroso e fino que adquire certa plasticidade ao contato com água, sendo fácil para moldagem. Depois de ser moldado, o objeto é seco e esquen-tado, finalizando o processo.
A indústria de cerâmica engloba dois subsetores, com características bem individualizadas e com níveis de avanço tecnológico distintos.
A cerâmica branca compreende os produtos fabricados com base em massas de argilas cauli-níticas, quartzo e fundente, e que apresentam cor clara após a queima.
A cerâmica vermelha, subsetor que enquadra os filtros de água, é formada em geral pelas olarias e fábricas de louças de barro, compreende os pro-dutos que apresentam cor vermelha após a queima, como por exemplo, tijolos, telhas, potes, moringas, vasos e os próprios filtros.
Existe um consenso entre os fabricantes de filtros de que as propriedades físico-químicas da argila são fundamentais para a qualidade do produto: quanto mais porosa e “pesada” a argila, menos propícia à atividade de olaria (telhas, tijolos) e mais propícia à fabricação de louças, como talhas e filtros, pois ela teria maior capacidade de esfriar a água (ou de mantê-la fresca).

Mercado hoje
À partir da década de 90, o surgimento de novos produtos, como purificadores e água mineral engarrafada, provocou mudanças nas vendas. Mesmo com essa transformação no segmento de filtros residenciais e purificadores, muitas famílias mantêm a tradição e a preferência pelo filtro de cerâmica, justamente por ser um dos mais conhecidos filtros para purificar água.
Existem dois tipos de filtros utilizados nas residências:
Filtro por Gravidade: É onde entra os filtros de cerâmica. Os tamanhos variam de 4 a 16 litros de capacidade (algo em torno de 55 a 75 cm de altura). Não devem ser menores, pois, como utilizam a gravidade para filtrarem a água, é o próprio peso da água que exerce pressão sob a superfície do elemento filtrante. Quanto menor o peso, menor a vazão.
Filtros de Pressão: Os filtros de pressão necessitam de instalação na rede hidráulica das residências e tem seu corpo externo feito de material plástico. São bem menores por serem utilizados à pressão da rede de água residencial. Sendo assim, podem ter praticamente o tamanho do elemento filtrante. “O material mais utilizado é a de celulose entre os modelos mais novos e não necessitam de limpeza”, comenta Maria Valéria Fortuna Rodrigues Gaba, diretora comercial da Casa dos Filtros, considerado um shopping voltado ex-clusivamente para a venda de purificadores, filtros para água residenciais e
industriais. Não há aparelhos por pressão que utilizem estrutura cerâmica.
A cerâmica é uma particularidade dos filtros de barro por gravidade, sendo que há aparelhos por gravidade que utilizam plástico, metal etc. Quanto à composição do elemento filtrante, a gama de opçõesé variada tanto para os aparelhos por gravidade quanto para os aparelhos por pressão, dependendo da escolha de cada fabricante.

Filtro de Cerâmica se moderniza
Segundo pesquisa do IBGE, 54% dos lares no país possuem algum sistema de tratamento doméstico de água (filtro, purificador ou bebedouro).
Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela ABRAFIPA – Associação Brasileira das Empresas de Filtros, Purificadores, Bebedouros e Equipamentos para Tratamento de Água, que estima que sejam produzidos cerca de 150 mil produtos entre filtros por gravidade e potes cerâmicos por mês no país.
Hoje existem outros formatos de filtros de cerâmica, evoluídos justamente para se adaptarem às neces-sidades e exigências dos ambientes mais modernos. “Um grande exemplo é o nosso filtro chamado Design, premiado em 2004, em Hannover na Ale-manha, em uma importante feira internacional de design, ao lado de grandes marcas como IBM, Nokia, BMW, Siemens, entre outros”, comenta Gustavo Branco, diretor da Cerâmica Stéfani. A empresa é considerada a maior fabricante de filtro de barro/cerâmica. Por volta de década de 40, a família Stéfani adquiriu os negócios da Cerâmica Lamparelli, criadora do primeiro filtro de barro/cerâmica, o São João. Nesta época, a produção de filtros se expandiu por todo o estado e país.
Em Jaboticabal, interior de São Paulo, as cerâmicas especializaram-se na fabricação desse produto, tornando-a cidade de maior concentração de produtores de filtros do Brasil. Hoje, são cerca de 25 empresas, entre elas está a Filtros Cristal, conhecida também como Filtros Salus. Marcelo Antonio da Silva, Gerente Financeiro da empresa, comenta que o segmento se adaptou conforme o gosto e a necessidade do usuário. “Existem filtros com a parte superior de plástico e a parte inferior de cerâmica com a vela filtrante, por exemplo. A função é a mesma, mas consequentemente esses filtros são mais modernos e fáceis de manusear”.

Vela Filtrante
Segundo Antonio Martins, Diretor Coorporativo da Pozzani, fabricante de velas de cerâmica para filtragem de água, existem quatro componentes principais para a fabricação do elemento filtrante. “São componentes para a fabricação da massa e, a partir daí, para o desenvolvimento de produto: Quartzo, Caulim, Diatomita e Vidro (vidro moído, sucata de vidro)”.
Segundo Branco, da Cerâmica Stéfani, o elemento filtrante pode ser fabricado com vários materiais, desde cerâmicas até polímeros que necessitam de alta tecnologia para serem fabricados. Isso será definido conforme a filtragem necessária. “A vela filtra devido à porosidade existente após o processo de fabricação, que trans-forma um composto de minerais em materiais cerâmicos porosos. Pode-se utilizar outros ma-teriais cerâmicos, até o barro, mas suas características não apresentam a mesma eficiência da vela cerâmica tradicional”, comenta.
No caso da vela cerâmica, ela reúne características necessá-rias à utilização comum de um elemento filtrante: excelente retenção de particulados, ótima resistência mecânica e custo extremamente baixo de fabri-cação. “A vela cerâmica tem se mostrado o mais eficiente ele-mento filtrante”, diz Marcelo, da Filtros Cristal, “A garantia de consumir uma água filtrada de boa qualidade”.
Já a vela esterilizante é compos-ta de elemento filtrante (retém partículas 1000 vezes menores que um fio de cabelo), mais car-vão ativado (elimina os sabores e odores desagradáveis, especialmente os vinculados com o cloro), e a prata coloidal (que, através do processo oligodi-nâmico, os íons de prata eliminam as bactérias sem con-taminação da água pela prata em si) – tem-se 99,88% de esterilização da água que pode ser obtida de qualquer fonte.

Instalação e Limpeza
Para manter sempre a água fres-ca e pura no filtro de cerâmica, a limpeza e a manutenção devem ser seguidas à risca, assim como a instalação do filtro no local, o lugar escolhido deve ser arejado e afastado do sol.
“A limpeza do filtro deve ser feita com um pano úmido em água numa periodicidade que varia de dois dias a uma semana, dependendo da sujidade do ambiente”, explica Martins, da Pozzani. “Já a limpeza do elemento filtrante (a vela) deve ser feita com água corrente e uma esponja macia”.
A substituição do elemento filtrante deve ser realizada a cada 6 meses para garantir a eficiência indicada. Aquela velha forma de limpar filtro com sal, açúcar, detergente, sabão ou qualquer produto químico é totalmente descartada. No filtro, isso pode passar bactérias pra água e causar entupi-mento. “Hoje os poros são menores, passando açúcar e sal os orifícios podem ser tampados”, diz Maria Valéria, da Casa dos Filtros.

Normas e Certificações
A norma específica aos aparelhos por gravidade, em vigor desde 2004, é a NBR 15176:2004, que deve ser obedecida por todos os fabricantes no país, valendo também para os aparelhos importados. Tanto os de pressão quanto os de gravidade deverão ter a certificação compulsória a partir de 31 de março de 2010.
Na norma, há os Ensaios Obrigatórios, que avaliam o Controle de Nível Microbiológico e Determinação de Extraíveis; e também os Ensaios Classificatórios, onde a Eficiência será verificada. Será avaliada também a Retenção de Partículas, Redução de Cloro Livre e Eficiência Bacteriológica. Desde 2002 existe também a NBR 14908:2004, norma que avalia o desempenho dos aparelhos por pressão.

Benefícios
O filtro de cerâmica não necessita de instalação hidráulica nem elétrica, mas mesmo assim man-tém a água sempre fresca porque a parede do filtroé porosa, permitindo que algumas moléculas de água de dentro do filtro passem para o lado externo, quando essas moléculas evaporam, elas “roubam” calor das moléculas de dentro do filtro, esfriando assim a água. “No caso de nossas exportações, como por exemplo a Austrália e a África do Sul, alguns deles valorizam demasiadamente as características de produto feito à mão e ecologicamente correto, que trata a água, serve de decoração e não agride o meio ambiente”, defende Branco.

A esterilização da água é um fato comprovado através das organizações de ajuda humanitária, como explica Branco: “A Cruz Vermelha é um exemplo, eles adquirem nossos produtos para disponibilizar água tratada em casos de catástrofes (como, por exemplo, o tsunami), utilizando a água disponível, que pode ser de rios, lagos, cisternas, poços, até mesmo água da chuva”.
Segundo Maria Valéria, o filtro de cerâmica sempre terá seu lugar no mercado. “A filtragem é lenta e precisa sempre encher de água a parte superior, mas quem gosta mesmo sempre procura pelo filtro de cerâmica, seja pela tradição ou pelo frescor que a matéria-prima proporciona”, explica.

Acesse a matéria na íntegra:

http://www.meiofiltrante.com.br/materias.asp?action=detalhe&id=351

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